quinta-feira, 28 de junho de 2012

Outros Quinhentos

No tempo em que
eu andava pela poeira...
no velho torrão onde nasci.
No tempo em que eu olhava
fojo, arapuca e quebra cabeça.
Não havia dor de cabeça!
No tempo em que eu me servia
de orelhinha, cotó, brancona, jega
preta, sapato roxo, galinhas chocas
e folhas de palma.
No tempo em que andava pela poeira...
no velho torrão onde nasci.
calção empoeirado, por vez rasgado.
Jeito moleque e havaianas a meio pé.
Sandálias cangaçeiras, pele enferrujada,
Catarro à vista, peito nu, cabelo ao vento
grande e piolhento.
No tempo em que eu andava sujo e feridento.
No tempo em que a galera brigava  a valer
sem medo, com mito e com tréguas.
Era o tempo em que eu era completo!
Eram outros quinhentos!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Mirorós, um tormento regional.


Mirorós, um tormento regional.



Antes de entrar no mérito, isto é, de evocar os fatores destronadores da barragem de Mirorós, creio ser muito substantivo recorrer um pouco à história do desenvolvimento regional. Esta, infelizmente, nada plausível, mas sobremaneira, crucial para se lançar um olhar critico sobre o episodio em questão.
Claro, gostaria de começar falando de coisas alegres e agradáveis, ate mesmo porque elas são o que mais interessa ao coletivo inconsciente e, seguramente, o que mais permeia o conjunto de ações no ideário e ideal dos povos em diferentes tempos e espaços. Alem disso, se não resolvem os nossos problemas, as coisas aprazíveis, ainda que momentaneamente qual paisagem de folhinha, conseguem congelá-los. É exatamente por isso que estamos o tempo todo, aspirando lugares paradisíacos como forma de apagarmos por horas ou dias, o nosso sofrimento, as nossas desilusões e, evidentemente, o temor da inevitável quimera, a bicha danada que come de janeiro a janeiro e nunca enche a sua pança furada, a espantosa morte.
Mas a verdade, se é que existe verdade, é que não aprendi a trocar gato por lebre e nem tampouco colocar chifre na cabeça de cavalo. Mirorós, hoje sem passar e sem faltar nada, é um tormento regional como também o foram outras políticas voltadas para o desenvolvimento regional, a exemplo da cultura do feijão e da irrigação, “pensadas entusiasticamente como redentoras de nossas plagas” mas que tiveram um triste fim, ambas saíram pelo lamacento ralo de interesses “alheios”.
Está avivado em nossas mentes o histórico e sonífero desenvolvimento regional, fundado no represamento das águas superficiais que seriam alimentadas pelas pluviais, mas que de praxe, não passou de oba-oba. No nosso caso , pensou-se no represamento das veredas que figurariam como promessas, sonhos de vastas áreas agrícolas a se perderem de vista, de uma fruticultura exuberante e suculenta e uma piscicultura não menos vultosa e ensejadora do êxito e felicidade de todos. Porem nada, absolutamente nada vingou, se quer foi principiado.
Nessa perspectiva, SUDENE, SUVALE, CODEVASF, DNOCS, entre outras mirabolantes empresas, “sumiram”, “esvaíram” no espaço qual fumaça em meio a forte vento. Nesse contexto a bola da vez foi a indústria da seca, álibi de enriquecimento de grupos econômicos influentes. Acontece que proferir, alardear o discurso da seca, sempre representou a automática isenção dos enormes débitos e, ao mesmo tempo, aquisição de novos e exponenciais empréstimos, via de regra, sob especialíssimas condições de juros e “pagamentos”, empréstimos esses ventilados como sendo destinados a minimizar os históricos e endêmicos problemas de levas e levas da população radicada no polígono da seca, mas que tomaram outros fins que podemos imaginar.
Ante o hedonismo do capital, o velho Romão Gramacho, dos Tapuias, das imemoráveis pinturas rupestres, dos paredões atemporais, das taboas, dos mistérios e lendas, está definitivamente morto, assim como também o estão as águas subterrâneas. É a saga da mortificação de tudo por poucos.
Por esse prisma, denunciar que Mirorós está com os dias contados, é tanto necessário quanto abominável. Necessário porque é um pleito de todos posto que ninguém sobrevive sem água, abominável devido a falta de nexo no trato da realidade daquela barragem. Não é que a galera que mais gasta água e insiste em continuar gastando com os vultosos projetos de irrigação, além de ser sem contraprova os destronadores da fonte, é quem mais fala em racionalizar o precioso liquido. É como diz a rapaziada dos games, “ninguém merece”.
Cara, é tanta hipocrisia por parte dos atores que mais consumiram e consomem aquele espelho d’água, que mais definitivamente obstruíram os canais alimentadores da barragem, via ampliação das áreas agricultáveis que supõe efetivo desmatamento da vegetação ciliar consorciado com intenso processo erosivo, que nos deixa asfixiado. Então, a gente fica meio que sem saber por onde começar. Mas como se diz na linguagem popular, é preciso dar nomes aos bois, afinal todo impasse, todo problema coerentemente encarado, pressupõe um exame acurado a fim de identificar causas e efeitos e, assim, poder implantar e implementar ações com vistas a sua solução ou minimização.
Não sei, posso estar errado ou exagerando, todavia me parece muito corrente a inversão das coisas nos dias que se seguem. Assim, é razoável dizer que desde os valores, a cultura, a indústria cultural, o consumo, a informação, esta sobremaneira distorcida e quase imprestável, tudo sem faltar nada, é muito arbitrário e nojento. Em síntese, é um estado de coisas inóspito e completamente destoante daquilo que a concepção iluminista legou à modernidade como ético e moral. Toma-se, por exemplo, o ter pelo ser, sem se examinar os meios de tal “proeza”, isto é, de tal afortunamento material ou, frequentemente, descarta-se quaisquer valores daqueles que eventualmente estão desprovidos de bens materiais.
Ora, o ser não prescinde o ter, mas este não assegura necessariamente àquele. O velho Marx, no contexto da Revolução Industrial chamou a atenção para o fato do homem que desde aquela época viveu em função da produção econômica, quando esta é que deve estar efetivamente em função dele. É essa inversão que torna os homens estranhos a si mesmos, indiferentes a si mesmos, degradadores do meio ambiente e por extensão, de si próprios como elementos centrais da natureza.
Nessa perspectiva, o vilão passa por vitima e vice e versa. Nunca socializaram tanto a ameaça de desaparecimento das águas de Mirorós como agora. Tudo bem, o problema é preocupante e inadiável, mas é preciso dizer que o problema não emergiu agora, nesse momento, como um sopro de uma força alienígena conspiradora, ao contrario, foi se revelando e tornando perceptível a cada dia ante a sanha de reprodução do grande capital regional naquele território.
Então, observa-se um clamor geral de empresários, comerciantes, políticos, em resumo, de todas as esferas de poder, inclusive do epicentro do problema no sentido de racionalizar ao máximo o consumo de água. Isso é corretíssimo, mas quem pode nesse momento figurar como exemplo dessa prática, o povo em geral, os grupos influentes em questão, os órgãos ambientalistas? Pôxa, ao contrario dos frutos, da riqueza, da bonança, é legal socializar problemas mesmo sabendo que estes não são na essência de origem de todos e que afetam todos, mas que atribuídos a todos, dão uma idéia bacana de co-responsabilidade que, por conseguinte, emerge para os pólos de poder como um desafogo.
Assim, verifica-se um grande alarido. É um corre-corre para ali, um corre-corre para acolá. Todos se arvoram de muito preocupados com a situação da água, e igualmente se portam como verdadeiros solucionadores do problema, defensores e autênticos paladinos da causa popular. Só vendo o quadro de efeitos publicitários que, na essência, infelizmente, não passa de um engodo. É o jogo dissimulado de políticos e empresários que em nome da locupletação tornam-se embebidos de gentilezas, cortesias, delicadezas e outros gestos recíprocos que revelam exclusivamente o aspecto coeso e coercitivo do grande capital regional. Ora, ficar no âmbito da constatação, afirmar que a água do Mirorós está acabando, é dizer o óbvio, o que salta aos olhos de todos. O que é crucial mesmo é identificar a causa de tal sumiço e, evidentemente, criar mecanismos para coibi-la ao máximo.
Do contrário, a tão aventada sustentabilidade ambiental fica sem audição, sem visibilidade e, absolutamente, sem nenhuma credibilidade. De resto, além da sanha do grande capital, aspecto esse, creio razoavelmente focado e argumentado no presente texto, torna-se necessário enfatizar que embora os grandes grupos econômicos regionais são os protagonistas e, como tal, os atores ativos no processo de degradação de Mirorós, as demais instituições sociais a exemplo de escolas, igrejas, poderes judiciário, executivo e legislativo e, com ênfase, a sociedade civil a quem mais a barragem interessa e pouco ou quase nada tem feito para evitar os danos impostos àquele espelho d’água, também tem relativa culpa. Só assim, podemos fomentar uma real consciência ecológica e criar uma perspectiva mínima de vida para as atuais e futuras gerações.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Sobre Arte

Se a arte é tudo que efetivamente funde sujeito e objeto de um modo inefável e atemporal, sob o seu manto não cabe quaisquer crivos de valor. É infinitamente soberana e indefinível, portanto todo comentário a seu despeito não passa de presunção, inclusive esse. Assim, diante da arte, só compete aos homens razoavelmente inteligentes e de bom senso, contemplá-la e nada mais.

sábado, 10 de março de 2012

Ilusão

Quando me aproximei de ti,
se é que me aproximei de ti
(não morri ao tentar?)
A correnteza do rio me sussurrou
que eu havia de quedar lá donde me encontrava
Quando me aproximei de ti, não me aproximei,
perdi-me num imaginário fogaréu que tornou-se
cinza antes de virar labareda. Na ilusão de   me
esquentar, me queimei  completamente. Ai de
mim, soubesse nunca tinha saído donde estava.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Aos Religiosos Apriorísticos

Se Deus é infinitamente criador, de sorte que nenhuma folha cai sem o seu consentimento. Estamos
pois ratificando que ele é tão mágico quanto injusto. Afora isso, só nos resta dizer que Deus é   su-
mariamente tudo que a razão não compreende. Isso não é para concordar ou discordar simplesmente.
É para pensar com um olhar filosófico, com uma alma que nos agracia o lado secreto do real.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O ALIENADO

Nunca mais andei descalço
Nunca mais tomei banho de chuva
Nunca mais deitei no chão prá possuir
a terra, prá possuir o sol, as estrelas, o
céu e escalar o universo. Por isso  esse
homem sisudo, esse homem doente. .
Nunuca mais me adentrei na caatinga.
Nunca mais inalei o inefável cheiro das
alfavacas e dos velames. Que fragâncias,
que aromas aveludantes do meu pobre
coração.
Nunca mais me reportei à engenhosidade
dos carros de umburuçu e dos de lata    à
bateria. Que lume, que brilho,     que   luz
radiante de cometa, que êxtase a fazer reboliço
dentro de mim.
Nunca mais evoquei as bricadeiras de criança.
No solo belocampense é imanente, sem gramática,
três três passará, passará?
Quebra monte, quebra pote, quebra isso, quebra
aquilo, quebraste?
Anelinho, bacondê, boca de forno,quem vos expulsou
desse mundo sem acalanto?
Chicotinho está queimando. Não queimaram-o por
inteiro?
Ainda bem, tantas coisas, inumeráveis coisas, tantas
cores a colorir a noite escura dos meus dias. Dantes,
sem temer a espreita de um caco de vidro, um arame
enferrujado, um grampo, faziam-se patins      após as
chuvas. Hoje sequer uma alusão. Bem verdade, exceto
a essência, sem ontologia o tempo presente   suprimiu
tudo isso. Por isso,  essa dor de cabeça,            esse
estranhamento, essa insonia, essa nausea, esse vazio.
Esse ar ofegante, essa asfixia. Chicotinho está queimando!
Sobre as lagoas, nunca mais fiz galinhas d´´agua. No tempo
de pirralho um dizia.Êpa, fiz cinco! Êla, fiz seis! Outro dizia,
ninguem me bate, fiz dez! Fazem-nas?      Cavalo    de  pau,
cavalo de pau? Chicotinho está queimando! E o ser não reduz
ao um não/ser ante a morte do lúdico, a poesia preterida,( se é
que não mataram-na) e o amor banalizado?

   

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Perfil de Alienados

Pedro tem pão, tem veste luxuosa,
livros à mão cheia. Mas não tem
mimo de painho e mainha.Por isso
vive a sonhar com a casa de Antonio
que vive a sonhar com a casa de Pedro
que tem o que a sua não tem.

Joana faz excursão à Europa todo ano.
Estudou e doutorou-se em Oxoford.
Não obstante, tem muito mais que pão,
muito mais que veste de vitrine. Está sempre
nos painéis publicitários.Domicílio-síntese da
arquitetura mundial. Mas lhe falta um irmãozinho
prá conversar, prá brigar e disputar o carinho dos
pais.Por isso vive a sonhar com a casa de Clara
que tem dez irmãos, que além do básico, tem limozine,
tem memorial que guarda pertences e historias de vovô
e vovó que enaltecem a gloria e orgulho de geração em geraçáo.
Mas vive a sonhar com a bela casa de Joana que tem o silêncio
imperial de secular e lustroso jacarandá

Carlos é exìmio flautista. Orador fascinante que arrebatar multidões,
além do que rabisca versos com um quê nerudiano. Entretanto, vive
a sonhar com os dotes de João que é saxofonista e violonista de eco
internacional, que está insatisfeito e aspira a melodia da flauta de Carlos
que já tentou a morte por não saber o que João sabe que se jogou da ponte
por não ser Carlos.

pedro, João, Joana, Carlos, Antonios e Josés, viventes das lavras diamantinas,
da morfologia petrificada e contrastante do contexto paulistano,do extasiante e
infernal mundo carioca, da Bahia de todos os santos e demônios, viventes de
todas as plagas, contemporâneos de paz e de guerra, irmãos de sonhos e de luta,
construtores de novos tempos, proclamadores de um mundo que ainda não é e nem
será nem meu, nem teu e nem nosso, mas que virá.
A vois que sois mui inteligentes e labutadores. Suplico aos querubins, pais de guarda
e luz, dissiminadores do êxtase interplanetário, cedei-vos compreensão, tornai-vos
capazes de regozijar com o pequeno, o desprezado, definitivamente com o simples.















.


Ironia

O negro e a negra
vieram da mesma terra.
Falam o mesmo idioma
e comungam dos mesmos
ideais.
No infausto e infernal cotidiano:
lavaram, engomaram, cozinharam,
plantaram, empilharam, transportaram
e colheram umas outras centenas de dores.
Nos redutos da resistência e do trabalho, os
quilombos: entrincheiraram-se, mataram, morreram,
dançaram e dançaram. Sumiram? Se  libertaram?
Asseguraram seus nomes na historiografia oficial?
Nos livros didáticos consta seus nomes como
protagonistas da formação do Brasil?
Nos interstícios dos canaviais, das minas, dos cafezais
e dos seringais é imanente um grito de resistência e de
repúdio.
No litoral, no solo de massapê, colheram a cana e  a
garapa, mas na alma e na boca um triste amargo de fel.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Um Vôo Entre o Concreto e o Abstrato

Estamos todos pois presos ao concreto, à base material da vida: abrigo, pão, vestuário e sexo. A esse despeito o velho guru,  karl Marx foi muito enfático e com toda razão. Mas em si tratando de um gênio dos estudos socias, certamente e de modo intencional e dialético ele deixou brechas para alçarmos outros vôos. Parafraseando o poeta Drummond, ora, as coisas findas mais do que  lindas, sensíveis e acessíveis ao alcance das mãos, não podem e nem devem ser um produto estanque, mas efetivamente uma dimensão da histórica. relação objetividade/subjetividade.



Um pouco acima da máxima popular.

De praxe a galera fala. Velho, um olhar repreensivo do meu pai era pior do que uma surra. De fato, nada mais abominável do que uma reprovção, sobretudo quando ela parte de alguem que a gente gosta e admira. Entretanto, a fim de observar a veracidade dessa assertiva popular, mister é buscar sacar o reverso da ação
verbal. Pois sim, concordo que as agressões verbais machucam mais do que qualquer bofetão, porem se estas tem tal efeito, é bem provável também que as palavras sinceras e afetuosas, sejam de um valor inestimável
para o desenvolvimento biológico e cognitivo do ser humano. Daí, precisamos fundir sempre pão e carinho,
matéria e espírito. Sem, evidentemente achar que uma categoria sobrepõe a outra. SACOU MAN?

Perguntas de Um Homem Mutilado.

Por que me atiraste
uma pedra, se sabias
que não sou rocha, que
sou fraco e não acredito
em Deus?

Por que me colocaste
numa noite escura para
desvendar teus mistérios,
se não tenho nenhuma cauda
de cometa e nenhum fiapo de
lua como acalento?

Por que me reservaste um teto
sem telhado, se em mim nada é
plácido, se o frio que me permeia
é siberiano e o meu cobertor está
em traças?

Por que me instigaste a tomar teu
vinho, forte, vil e embriagador, se
sabias que há um pigarro em minha
garganta e que me asfixio com água
porque esta há muito tempo congelou-se

Por que disseste a mim, meu amor,
insinuando-me a pensar que me
amavas, sabendo que o amor compraz
com tudo que é humano e protetor, legando-me
em palavras um Himalia de crateras?

Halley, Halley, Halley, ilumine-me dessa escuridão.
Querubins de todos os anjos e demônios, dissipem
de mim essa angústia, afastem de mim essa triste
memoria.

Não, não estou alucinado e nenhuma bruxa ronda
o meu templo, nas asas da lua cavaleiro São Jorge
está a me proteger, porquanto não estou muito menos
morto, nem tampouco vazio,bem sei que nas veias corre
sangue e no peito um coração pulsa, além disso, tenho um
pouco de verniz no cérebro.

Com as desilusões e ilusões, com as subidas e as descidas,
com a sublimidade e a vulnerabilidade de todos os mortais,
vou recomeçar. Vou amar, estou amando. É alvorada!
Em mim, nesse instante amanheceu.


O Dilema Contemporâneo

Nos dias correntes é excessivamente quixotesco imaginar um mundo de encantamento, aquele em que as pedras, as rochas, os rios, as plantas e os bichos, por séculos e milênios, foram a parte indissociável e  vital
da humanidade. Este mundo, infelizmente, está sepultado nas gélidas e impessoais águas do capitalismo. Por
outro lado, ninguém suporta mais a frieza científica e tecnológica e, muito menos, a ameaaça permanente dos
reatores nucleares, como marcas emblemáticas e paradigmáticas do tempo vigente. E agora josé? Calma,
beba uma pinga, dance um samba e, de praxe, bata um birro. O resto, o resto deixe ao sabor dos ventos...


O outro

Meu ser de corpo e alma
Que tu pegas e sente
Que aplaudes e vaias.
Não é o meu ser
É o simulacro de outro ser
Idealizado por um ser supremo
Cuja a origem a ciência jamais descubrirá
Meu sim, meu não
Não são sentimentos meus,prolongaram-se em min
Mas são deleites de alma inventiva
Que criou o fogo, a água, o sal e o açúcar.
Via de regra, meu ser não é essa anatomia débil
Que morre de susto.
  É um ser generoso e tambem gozador 
Anda comigo lado a lado como a minha sombra
Permite-me senti-lo e nunca tocá-lo
Vai comigo ao baba, à rua, ao supermercado, enfim, a todos os lugares.
Compadece com o meu sofrimento e felicita com a minha alegria.
Quem será esse magíco que me faz sorrir em meio ao duro cotidiano?