Se Deus é infinitamente criador, de sorte que nenhuma folha cai sem o seu consentimento. Estamos
pois ratificando que ele é tão mágico quanto injusto. Afora isso, só nos resta dizer que Deus é su-
mariamente tudo que a razão não compreende. Isso não é para concordar ou discordar simplesmente.
É para pensar com um olhar filosófico, com uma alma que nos agracia o lado secreto do real.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
O ALIENADO
Nunca mais andei descalço
Nunca mais tomei banho de chuva
Nunca mais deitei no chão prá possuir
a terra, prá possuir o sol, as estrelas, o
céu e escalar o universo. Por isso esse
homem sisudo, esse homem doente. .
Nunuca mais me adentrei na caatinga.
Nunca mais inalei o inefável cheiro das
alfavacas e dos velames. Que fragâncias,
que aromas aveludantes do meu pobre
coração.
Nunca mais me reportei à engenhosidade
dos carros de umburuçu e dos de lata à
bateria. Que lume, que brilho, que luz
radiante de cometa, que êxtase a fazer reboliço
dentro de mim.
Nunca mais evoquei as bricadeiras de criança.
No solo belocampense é imanente, sem gramática,
três três passará, passará?
Quebra monte, quebra pote, quebra isso, quebra
aquilo, quebraste?
Anelinho, bacondê, boca de forno,quem vos expulsou
desse mundo sem acalanto?
Chicotinho está queimando. Não queimaram-o por
inteiro?
Ainda bem, tantas coisas, inumeráveis coisas, tantas
cores a colorir a noite escura dos meus dias. Dantes,
sem temer a espreita de um caco de vidro, um arame
enferrujado, um grampo, faziam-se patins após as
chuvas. Hoje sequer uma alusão. Bem verdade, exceto
a essência, sem ontologia o tempo presente suprimiu
tudo isso. Por isso, essa dor de cabeça, esse
estranhamento, essa insonia, essa nausea, esse vazio.
Esse ar ofegante, essa asfixia. Chicotinho está queimando!
Sobre as lagoas, nunca mais fiz galinhas d´´agua. No tempo
de pirralho um dizia.Êpa, fiz cinco! Êla, fiz seis! Outro dizia,
ninguem me bate, fiz dez! Fazem-nas? Cavalo de pau,
cavalo de pau? Chicotinho está queimando! E o ser não reduz
ao um não/ser ante a morte do lúdico, a poesia preterida,( se é
que não mataram-na) e o amor banalizado?
Nunca mais tomei banho de chuva
Nunca mais deitei no chão prá possuir
a terra, prá possuir o sol, as estrelas, o
céu e escalar o universo. Por isso esse
homem sisudo, esse homem doente. .
Nunuca mais me adentrei na caatinga.
Nunca mais inalei o inefável cheiro das
alfavacas e dos velames. Que fragâncias,
que aromas aveludantes do meu pobre
coração.
Nunca mais me reportei à engenhosidade
dos carros de umburuçu e dos de lata à
bateria. Que lume, que brilho, que luz
radiante de cometa, que êxtase a fazer reboliço
dentro de mim.
Nunca mais evoquei as bricadeiras de criança.
No solo belocampense é imanente, sem gramática,
três três passará, passará?
Quebra monte, quebra pote, quebra isso, quebra
aquilo, quebraste?
Anelinho, bacondê, boca de forno,quem vos expulsou
desse mundo sem acalanto?
Chicotinho está queimando. Não queimaram-o por
inteiro?
Ainda bem, tantas coisas, inumeráveis coisas, tantas
cores a colorir a noite escura dos meus dias. Dantes,
sem temer a espreita de um caco de vidro, um arame
enferrujado, um grampo, faziam-se patins após as
chuvas. Hoje sequer uma alusão. Bem verdade, exceto
a essência, sem ontologia o tempo presente suprimiu
tudo isso. Por isso, essa dor de cabeça, esse
estranhamento, essa insonia, essa nausea, esse vazio.
Esse ar ofegante, essa asfixia. Chicotinho está queimando!
Sobre as lagoas, nunca mais fiz galinhas d´´agua. No tempo
de pirralho um dizia.Êpa, fiz cinco! Êla, fiz seis! Outro dizia,
ninguem me bate, fiz dez! Fazem-nas? Cavalo de pau,
cavalo de pau? Chicotinho está queimando! E o ser não reduz
ao um não/ser ante a morte do lúdico, a poesia preterida,( se é
que não mataram-na) e o amor banalizado?
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Perfil de Alienados
Pedro tem pão, tem veste luxuosa,
livros à mão cheia. Mas não tem
mimo de painho e mainha.Por isso
vive a sonhar com a casa de Antonio
que vive a sonhar com a casa de Pedro
que tem o que a sua não tem.
Joana faz excursão à Europa todo ano.
Estudou e doutorou-se em Oxoford.
Não obstante, tem muito mais que pão,
muito mais que veste de vitrine. Está sempre
nos painéis publicitários.Domicílio-síntese da
arquitetura mundial. Mas lhe falta um irmãozinho
prá conversar, prá brigar e disputar o carinho dos
pais.Por isso vive a sonhar com a casa de Clara
que tem dez irmãos, que além do básico, tem limozine,
tem memorial que guarda pertences e historias de vovô
e vovó que enaltecem a gloria e orgulho de geração em geraçáo.
Mas vive a sonhar com a bela casa de Joana que tem o silêncio
imperial de secular e lustroso jacarandá
Carlos é exìmio flautista. Orador fascinante que arrebatar multidões,
além do que rabisca versos com um quê nerudiano. Entretanto, vive
a sonhar com os dotes de João que é saxofonista e violonista de eco
internacional, que está insatisfeito e aspira a melodia da flauta de Carlos
que já tentou a morte por não saber o que João sabe que se jogou da ponte
por não ser Carlos.
pedro, João, Joana, Carlos, Antonios e Josés, viventes das lavras diamantinas,
da morfologia petrificada e contrastante do contexto paulistano,do extasiante e
infernal mundo carioca, da Bahia de todos os santos e demônios, viventes de
todas as plagas, contemporâneos de paz e de guerra, irmãos de sonhos e de luta,
construtores de novos tempos, proclamadores de um mundo que ainda não é e nem
será nem meu, nem teu e nem nosso, mas que virá.
A vois que sois mui inteligentes e labutadores. Suplico aos querubins, pais de guarda
e luz, dissiminadores do êxtase interplanetário, cedei-vos compreensão, tornai-vos
capazes de regozijar com o pequeno, o desprezado, definitivamente com o simples.
.
livros à mão cheia. Mas não tem
mimo de painho e mainha.Por isso
vive a sonhar com a casa de Antonio
que vive a sonhar com a casa de Pedro
que tem o que a sua não tem.
Joana faz excursão à Europa todo ano.
Estudou e doutorou-se em Oxoford.
Não obstante, tem muito mais que pão,
muito mais que veste de vitrine. Está sempre
nos painéis publicitários.Domicílio-síntese da
arquitetura mundial. Mas lhe falta um irmãozinho
prá conversar, prá brigar e disputar o carinho dos
pais.Por isso vive a sonhar com a casa de Clara
que tem dez irmãos, que além do básico, tem limozine,
tem memorial que guarda pertences e historias de vovô
e vovó que enaltecem a gloria e orgulho de geração em geraçáo.
Mas vive a sonhar com a bela casa de Joana que tem o silêncio
imperial de secular e lustroso jacarandá
Carlos é exìmio flautista. Orador fascinante que arrebatar multidões,
além do que rabisca versos com um quê nerudiano. Entretanto, vive
a sonhar com os dotes de João que é saxofonista e violonista de eco
internacional, que está insatisfeito e aspira a melodia da flauta de Carlos
que já tentou a morte por não saber o que João sabe que se jogou da ponte
por não ser Carlos.
pedro, João, Joana, Carlos, Antonios e Josés, viventes das lavras diamantinas,
da morfologia petrificada e contrastante do contexto paulistano,do extasiante e
infernal mundo carioca, da Bahia de todos os santos e demônios, viventes de
todas as plagas, contemporâneos de paz e de guerra, irmãos de sonhos e de luta,
construtores de novos tempos, proclamadores de um mundo que ainda não é e nem
será nem meu, nem teu e nem nosso, mas que virá.
A vois que sois mui inteligentes e labutadores. Suplico aos querubins, pais de guarda
e luz, dissiminadores do êxtase interplanetário, cedei-vos compreensão, tornai-vos
capazes de regozijar com o pequeno, o desprezado, definitivamente com o simples.
.
Ironia
O negro e a negra
vieram da mesma terra.
Falam o mesmo idioma
e comungam dos mesmos
ideais.
No infausto e infernal cotidiano:
lavaram, engomaram, cozinharam,
plantaram, empilharam, transportaram
e colheram umas outras centenas de dores.
Nos redutos da resistência e do trabalho, os
quilombos: entrincheiraram-se, mataram, morreram,
dançaram e dançaram. Sumiram? Se libertaram?
Asseguraram seus nomes na historiografia oficial?
Nos livros didáticos consta seus nomes como
protagonistas da formação do Brasil?
Nos interstícios dos canaviais, das minas, dos cafezais
e dos seringais é imanente um grito de resistência e de
repúdio.
No litoral, no solo de massapê, colheram a cana e a
garapa, mas na alma e na boca um triste amargo de fel.
vieram da mesma terra.
Falam o mesmo idioma
e comungam dos mesmos
ideais.
No infausto e infernal cotidiano:
lavaram, engomaram, cozinharam,
plantaram, empilharam, transportaram
e colheram umas outras centenas de dores.
Nos redutos da resistência e do trabalho, os
quilombos: entrincheiraram-se, mataram, morreram,
dançaram e dançaram. Sumiram? Se libertaram?
Asseguraram seus nomes na historiografia oficial?
Nos livros didáticos consta seus nomes como
protagonistas da formação do Brasil?
Nos interstícios dos canaviais, das minas, dos cafezais
e dos seringais é imanente um grito de resistência e de
repúdio.
No litoral, no solo de massapê, colheram a cana e a
garapa, mas na alma e na boca um triste amargo de fel.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Um Vôo Entre o Concreto e o Abstrato
Estamos todos pois presos ao concreto, à base material da vida: abrigo, pão, vestuário e sexo. A esse despeito o velho guru, karl Marx foi muito enfático e com toda razão. Mas em si tratando de um gênio dos estudos socias, certamente e de modo intencional e dialético ele deixou brechas para alçarmos outros vôos. Parafraseando o poeta Drummond, ora, as coisas findas mais do que lindas, sensíveis e acessíveis ao alcance das mãos, não podem e nem devem ser um produto estanque, mas efetivamente uma dimensão da histórica. relação objetividade/subjetividade.
Um pouco acima da máxima popular.
De praxe a galera fala. Velho, um olhar repreensivo do meu pai era pior do que uma surra. De fato, nada mais abominável do que uma reprovção, sobretudo quando ela parte de alguem que a gente gosta e admira. Entretanto, a fim de observar a veracidade dessa assertiva popular, mister é buscar sacar o reverso da ação
verbal. Pois sim, concordo que as agressões verbais machucam mais do que qualquer bofetão, porem se estas tem tal efeito, é bem provável também que as palavras sinceras e afetuosas, sejam de um valor inestimável
para o desenvolvimento biológico e cognitivo do ser humano. Daí, precisamos fundir sempre pão e carinho,
matéria e espírito. Sem, evidentemente achar que uma categoria sobrepõe a outra. SACOU MAN?
verbal. Pois sim, concordo que as agressões verbais machucam mais do que qualquer bofetão, porem se estas tem tal efeito, é bem provável também que as palavras sinceras e afetuosas, sejam de um valor inestimável
para o desenvolvimento biológico e cognitivo do ser humano. Daí, precisamos fundir sempre pão e carinho,
matéria e espírito. Sem, evidentemente achar que uma categoria sobrepõe a outra. SACOU MAN?
Perguntas de Um Homem Mutilado.
Por que me atiraste
uma pedra, se sabias
que não sou rocha, que
sou fraco e não acredito
em Deus?
Por que me colocaste
numa noite escura para
desvendar teus mistérios,
se não tenho nenhuma cauda
de cometa e nenhum fiapo de
lua como acalento?
Por que me reservaste um teto
sem telhado, se em mim nada é
plácido, se o frio que me permeia
é siberiano e o meu cobertor está
em traças?
Por que me instigaste a tomar teu
vinho, forte, vil e embriagador, se
sabias que há um pigarro em minha
garganta e que me asfixio com água
porque esta há muito tempo congelou-se
Por que disseste a mim, meu amor,
insinuando-me a pensar que me
amavas, sabendo que o amor compraz
com tudo que é humano e protetor, legando-me
em palavras um Himalia de crateras?
Halley, Halley, Halley, ilumine-me dessa escuridão.
Querubins de todos os anjos e demônios, dissipem
de mim essa angústia, afastem de mim essa triste
memoria.
Não, não estou alucinado e nenhuma bruxa ronda
o meu templo, nas asas da lua cavaleiro São Jorge
está a me proteger, porquanto não estou muito menos
morto, nem tampouco vazio,bem sei que nas veias corre
sangue e no peito um coração pulsa, além disso, tenho um
pouco de verniz no cérebro.
Com as desilusões e ilusões, com as subidas e as descidas,
com a sublimidade e a vulnerabilidade de todos os mortais,
vou recomeçar. Vou amar, estou amando. É alvorada!
Em mim, nesse instante amanheceu.
uma pedra, se sabias
que não sou rocha, que
sou fraco e não acredito
em Deus?
Por que me colocaste
numa noite escura para
desvendar teus mistérios,
se não tenho nenhuma cauda
de cometa e nenhum fiapo de
lua como acalento?
Por que me reservaste um teto
sem telhado, se em mim nada é
plácido, se o frio que me permeia
é siberiano e o meu cobertor está
em traças?
Por que me instigaste a tomar teu
vinho, forte, vil e embriagador, se
sabias que há um pigarro em minha
garganta e que me asfixio com água
porque esta há muito tempo congelou-se
Por que disseste a mim, meu amor,
insinuando-me a pensar que me
amavas, sabendo que o amor compraz
com tudo que é humano e protetor, legando-me
em palavras um Himalia de crateras?
Halley, Halley, Halley, ilumine-me dessa escuridão.
Querubins de todos os anjos e demônios, dissipem
de mim essa angústia, afastem de mim essa triste
memoria.
Não, não estou alucinado e nenhuma bruxa ronda
o meu templo, nas asas da lua cavaleiro São Jorge
está a me proteger, porquanto não estou muito menos
morto, nem tampouco vazio,bem sei que nas veias corre
sangue e no peito um coração pulsa, além disso, tenho um
pouco de verniz no cérebro.
Com as desilusões e ilusões, com as subidas e as descidas,
com a sublimidade e a vulnerabilidade de todos os mortais,
vou recomeçar. Vou amar, estou amando. É alvorada!
Em mim, nesse instante amanheceu.
O Dilema Contemporâneo
Nos dias correntes é excessivamente quixotesco imaginar um mundo de encantamento, aquele em que as pedras, as rochas, os rios, as plantas e os bichos, por séculos e milênios, foram a parte indissociável e vital
da humanidade. Este mundo, infelizmente, está sepultado nas gélidas e impessoais águas do capitalismo. Por
outro lado, ninguém suporta mais a frieza científica e tecnológica e, muito menos, a ameaaça permanente dos
reatores nucleares, como marcas emblemáticas e paradigmáticas do tempo vigente. E agora josé? Calma,
beba uma pinga, dance um samba e, de praxe, bata um birro. O resto, o resto deixe ao sabor dos ventos...
da humanidade. Este mundo, infelizmente, está sepultado nas gélidas e impessoais águas do capitalismo. Por
outro lado, ninguém suporta mais a frieza científica e tecnológica e, muito menos, a ameaaça permanente dos
reatores nucleares, como marcas emblemáticas e paradigmáticas do tempo vigente. E agora josé? Calma,
beba uma pinga, dance um samba e, de praxe, bata um birro. O resto, o resto deixe ao sabor dos ventos...
O outro
Meu ser de corpo e alma
Que tu pegas e sente
Que aplaudes e vaias.
Não é o meu ser
É o simulacro de outro ser
Idealizado por um ser supremo
Cuja a origem a ciência jamais descubrirá
Meu sim, meu não
Não são sentimentos meus,prolongaram-se em min
Mas são deleites de alma inventiva
Que criou o fogo, a água, o sal e o açúcar.
Via de regra, meu ser não é essa anatomia débil
Que morre de susto.
É um ser generoso e tambem gozador
Anda comigo lado a lado como a minha sombra
Permite-me senti-lo e nunca tocá-lo
Vai comigo ao baba, à rua, ao supermercado, enfim, a todos os lugares.
Compadece com o meu sofrimento e felicita com a minha alegria.
Quem será esse magíco que me faz sorrir em meio ao duro cotidiano?
Que tu pegas e sente
Que aplaudes e vaias.
Não é o meu ser
É o simulacro de outro ser
Idealizado por um ser supremo
Cuja a origem a ciência jamais descubrirá
Meu sim, meu não
Não são sentimentos meus,prolongaram-se em min
Mas são deleites de alma inventiva
Que criou o fogo, a água, o sal e o açúcar.
Via de regra, meu ser não é essa anatomia débil
Que morre de susto.
É um ser generoso e tambem gozador
Anda comigo lado a lado como a minha sombra
Permite-me senti-lo e nunca tocá-lo
Vai comigo ao baba, à rua, ao supermercado, enfim, a todos os lugares.
Compadece com o meu sofrimento e felicita com a minha alegria.
Quem será esse magíco que me faz sorrir em meio ao duro cotidiano?
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