segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Ironia

O negro e a negra
vieram da mesma terra.
Falam o mesmo idioma
e comungam dos mesmos
ideais.
No infausto e infernal cotidiano:
lavaram, engomaram, cozinharam,
plantaram, empilharam, transportaram
e colheram umas outras centenas de dores.
Nos redutos da resistência e do trabalho, os
quilombos: entrincheiraram-se, mataram, morreram,
dançaram e dançaram. Sumiram? Se  libertaram?
Asseguraram seus nomes na historiografia oficial?
Nos livros didáticos consta seus nomes como
protagonistas da formação do Brasil?
Nos interstícios dos canaviais, das minas, dos cafezais
e dos seringais é imanente um grito de resistência e de
repúdio.
No litoral, no solo de massapê, colheram a cana e  a
garapa, mas na alma e na boca um triste amargo de fel.

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