domingo, 19 de fevereiro de 2012

Perguntas de Um Homem Mutilado.

Por que me atiraste
uma pedra, se sabias
que não sou rocha, que
sou fraco e não acredito
em Deus?

Por que me colocaste
numa noite escura para
desvendar teus mistérios,
se não tenho nenhuma cauda
de cometa e nenhum fiapo de
lua como acalento?

Por que me reservaste um teto
sem telhado, se em mim nada é
plácido, se o frio que me permeia
é siberiano e o meu cobertor está
em traças?

Por que me instigaste a tomar teu
vinho, forte, vil e embriagador, se
sabias que há um pigarro em minha
garganta e que me asfixio com água
porque esta há muito tempo congelou-se

Por que disseste a mim, meu amor,
insinuando-me a pensar que me
amavas, sabendo que o amor compraz
com tudo que é humano e protetor, legando-me
em palavras um Himalia de crateras?

Halley, Halley, Halley, ilumine-me dessa escuridão.
Querubins de todos os anjos e demônios, dissipem
de mim essa angústia, afastem de mim essa triste
memoria.

Não, não estou alucinado e nenhuma bruxa ronda
o meu templo, nas asas da lua cavaleiro São Jorge
está a me proteger, porquanto não estou muito menos
morto, nem tampouco vazio,bem sei que nas veias corre
sangue e no peito um coração pulsa, além disso, tenho um
pouco de verniz no cérebro.

Com as desilusões e ilusões, com as subidas e as descidas,
com a sublimidade e a vulnerabilidade de todos os mortais,
vou recomeçar. Vou amar, estou amando. É alvorada!
Em mim, nesse instante amanheceu.


Nenhum comentário:

Postar um comentário