Pedro tem pão, tem veste luxuosa,
livros à mão cheia. Mas não tem
mimo de painho e mainha.Por isso
vive a sonhar com a casa de Antonio
que vive a sonhar com a casa de Pedro
que tem o que a sua não tem.
Joana faz excursão à Europa todo ano.
Estudou e doutorou-se em Oxoford.
Não obstante, tem muito mais que pão,
muito mais que veste de vitrine. Está sempre
nos painéis publicitários.Domicílio-síntese da
arquitetura mundial. Mas lhe falta um irmãozinho
prá conversar, prá brigar e disputar o carinho dos
pais.Por isso vive a sonhar com a casa de Clara
que tem dez irmãos, que além do básico, tem limozine,
tem memorial que guarda pertences e historias de vovô
e vovó que enaltecem a gloria e orgulho de geração em geraçáo.
Mas vive a sonhar com a bela casa de Joana que tem o silêncio
imperial de secular e lustroso jacarandá
Carlos é exìmio flautista. Orador fascinante que arrebatar multidões,
além do que rabisca versos com um quê nerudiano. Entretanto, vive
a sonhar com os dotes de João que é saxofonista e violonista de eco
internacional, que está insatisfeito e aspira a melodia da flauta de Carlos
que já tentou a morte por não saber o que João sabe que se jogou da ponte
por não ser Carlos.
pedro, João, Joana, Carlos, Antonios e Josés, viventes das lavras diamantinas,
da morfologia petrificada e contrastante do contexto paulistano,do extasiante e
infernal mundo carioca, da Bahia de todos os santos e demônios, viventes de
todas as plagas, contemporâneos de paz e de guerra, irmãos de sonhos e de luta,
construtores de novos tempos, proclamadores de um mundo que ainda não é e nem
será nem meu, nem teu e nem nosso, mas que virá.
A vois que sois mui inteligentes e labutadores. Suplico aos querubins, pais de guarda
e luz, dissiminadores do êxtase interplanetário, cedei-vos compreensão, tornai-vos
capazes de regozijar com o pequeno, o desprezado, definitivamente com o simples.
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