terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O ALIENADO

Nunca mais andei descalço
Nunca mais tomei banho de chuva
Nunca mais deitei no chão prá possuir
a terra, prá possuir o sol, as estrelas, o
céu e escalar o universo. Por isso  esse
homem sisudo, esse homem doente. .
Nunuca mais me adentrei na caatinga.
Nunca mais inalei o inefável cheiro das
alfavacas e dos velames. Que fragâncias,
que aromas aveludantes do meu pobre
coração.
Nunca mais me reportei à engenhosidade
dos carros de umburuçu e dos de lata    à
bateria. Que lume, que brilho,     que   luz
radiante de cometa, que êxtase a fazer reboliço
dentro de mim.
Nunca mais evoquei as bricadeiras de criança.
No solo belocampense é imanente, sem gramática,
três três passará, passará?
Quebra monte, quebra pote, quebra isso, quebra
aquilo, quebraste?
Anelinho, bacondê, boca de forno,quem vos expulsou
desse mundo sem acalanto?
Chicotinho está queimando. Não queimaram-o por
inteiro?
Ainda bem, tantas coisas, inumeráveis coisas, tantas
cores a colorir a noite escura dos meus dias. Dantes,
sem temer a espreita de um caco de vidro, um arame
enferrujado, um grampo, faziam-se patins      após as
chuvas. Hoje sequer uma alusão. Bem verdade, exceto
a essência, sem ontologia o tempo presente   suprimiu
tudo isso. Por isso,  essa dor de cabeça,            esse
estranhamento, essa insonia, essa nausea, esse vazio.
Esse ar ofegante, essa asfixia. Chicotinho está queimando!
Sobre as lagoas, nunca mais fiz galinhas d´´agua. No tempo
de pirralho um dizia.Êpa, fiz cinco! Êla, fiz seis! Outro dizia,
ninguem me bate, fiz dez! Fazem-nas?      Cavalo    de  pau,
cavalo de pau? Chicotinho está queimando! E o ser não reduz
ao um não/ser ante a morte do lúdico, a poesia preterida,( se é
que não mataram-na) e o amor banalizado?

   

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